A apuração do resultado da eleição 2014: um retrato da democracia republicana do Brasil

3.14.2015  @DigaoPessoa
As possíveis fraudes — descobertas, apontadas e até denunciadas(!) — foram tantas, em quantidade, e tamanhas, em escândalo, que a soma do resultado final do processo eleitoral do segundo e decisivo turno acabou ficando em segundo plano. Confira a seguir a conta completa e o que ela significa para a democracia e para a história do país.

A conta em questão soma (dados em milhões...): de um lado, os votos na candidata do governo (54,5) e os votos em branco (1,9), para encontrar o total de eleitores que escolheram ou aceitaram Dilma (PT) como presidente; do outro, os que votaram no candidato da oposição (51,0); e, os que preferiram o protesto manifesto, explícito ou velado, contra os candidatos e o sistema, votando nulo (5,2) ou preferindo nem legitimar o pleito (30,1), abstendo-se da escolha forçada em um dos dois finalistas.

O resultado da conta configura o seguinte gráfico:



Mas, por que fazer a conta é importante? Não basta apenas verificar o candidato mais votado? Não. Não basta. A democracia é o governo onde a maioria do povo é a legítima dona do poder, delegando-o livremente ao representante que escolher.

Esse conjunto formado pela maioria do povo podemos chamar de lastro eleitoral, ou lastro democrático. É a construção eleitoral da legitimidade do poder que configura a verdadeira democracia: o poder que emana do povo e fornece o lastro da governabilidade ao representante escolhido.

Os votos materializados nas urnas tradicionais ou eletrônicas, assim, são apenas o meio, físico ou digital, pelo qual espera-se poder apurar qual é a escolha da maioria.

Portanto, note bem: a democracia é o governo da maioria do povo, e, não o governo da maioria dos votos considerados válidos, instrumentos eficazes ou não de um sistema de aferição eleitoral; cabe ao sistema democrático implantado encontrar as formas adequadas de legislação, de regras e de normas capazes de garantir a apuração da vontade da maioria do povo. Fora disso é distorção, falseamento democrático ou mera encenação.

O falseamento da democracia é um dos maiores e mais eficazes meios de destruição da própria democracia!

Por isso, temos que constatar que a conta, cujo resultado está demonstrado no gráfico acima, mostra de forma clara que a eleição presidencial de 2014 falhou em seu principal objetivo: fazer valer a vontade da maioria real do povo.

É o retrato nítido da situação atual da "democracia" republicana do Brasil — suspeita, viciada, desgastada, falha e, principalmente, injusta. Temos democracia no Brasil? Não. Temos apenas a abjeta república das máfias bregas, que sufocam e tentam ludibriar a maioria dos brasileiros.



Fontes e referências:
  • Resultado final da eleição presidencial 2014, segundo dados apurados pelo TSE — Tribunal Superior Eleitoral.
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